Desejos de Ano Novo

Janeiro está quase terminando… Já deu tempo de esquecer as promessas de ano novo? então, é hora de relembrá-las! Emagrecer, parar de fumar, terminar aquele livro, ligar mais pros amigos, começar uma poupança. O que você prometeu?

É comum repetirmos a mesma promessa por vários anos, pois não conseguimos, ainda, cumpri-las. “Plano infalível” não há, mas será que existem formas de aumentarmos as chances de alcançarmos nossos objetivos? Reuni algumas estratégias, para nos ajudar. Vejamos:

– Coloque no papel. Quando escrevemos nossos planos, temos menos chances de esquecê-los e mais chances de realizá-los.
– Estabeleça metas atingíveis. Não adianta querer mudar da água pro vinho em uma semana. Estabeleça prazos, pra ir aumentando as marcas.
– Comprometa-se publicamente. Dá um medo danado, né? Fica aquela sensação de que, se não tivermos sucesso na promessa, ficaremos com a imagem de fracassados. Mas será mesmo? Na pior das hipóteses, você foi corajoso e tentou. Pesquisas mostram que quem se compromete publicamente tem mais chance de obter sucesso.
– Não desanime quando falhar. Ok, você economizou no primeiro mês, mas ficou no vermelho no segundo. Mudanças de hábito se dão através de altos e baicos. Permita-se um tempo de ajuste. Não considere isso um fracasso, mas parte do processo. Volte ao seu objetivo no terceiro mês.
– Conforme for obtendo sucesso nas suas realizações, marque isso em algum lugar visível. Dessa forma, você terá mais noção do quanto já avançou nos seus objetivos, e isso lhe dará mais motivação para continuar.
– Busque apoio. É importante poder contar com amigos e familiares, quando se quer alcançar novas metas.

Mas eu gostaria de dar um outro conselho.

Seja lá qual for o seu objetivo, peça por autocontrole. Se você tiver autocontrole, conseguirá:

– Não comprar tudo o que vê pela frente, e economizar.

– Ser comedido na alimentação, e emagrecer e/ou levar uma vida mais saudável.

– Não sucumbir à preguiça, e sair para se exercitar.

– Não falar mais do que deve, e fazer mais amigos.

– Não ficar vendo televisão até tarde, e acordar com menos mau humor.

– Controlar a vontade de comprar cigarros, e parar de fumar.

– Trocar a balada pelo estudo, e passar no vestibular ou ser aprovado no concurso.

Não consigo pensar em nenhum desejo que dependa diretamente de nós mesmos, e não esteja atrelado ao autocontrole. Nem sempre o autocontrole, sozinho, será suficiente, mas já facilitará bastante.

O alcance do autocontrole é fruto de treino. Exercite o seu, e verá como terá mais sucesso nas suas ambições!

Ética em Pesquisa – uma pincelada

Ser ético é importar-se com o outro. Ser ético em pesquisa é, portanto, colocar o bem-estar do outro acima dos próprios interesses, dos interesses científicos e até mesmo dos da sociedade.

Um pesquisador ético é aquele que, além de cumprir o dito acima, responsabiliza-se integralmente por sua pesquisa e por seus sujeitos. Ele domina o conteúdo e as técnicas de sua pesquisa, garante o seu correto andamento, e – no caso da pesquisa clínica – fala dela para seus pacientes/voluntários de forma clara, objetiva e transparente.

De acordo com as resoluções de 1996 e 1997 do Ministério da Saúde brasileiro, a pesquisa clínica (realizada com seres humanos) precisa preencher os seguintes critérios (entre outros):

– seus benefícios precisam ser maiores que seus riscos (para o paciente);

– o paciente tem o direito de receber o melhor tratamento comprovado disponível;

– pacientes e voluntários precisam assinar um termo de consentimento livre e esclarecido, que precisa ser de fácil compreensão e não deve induzir à participação;

– pacientes menores de 18 anos e/ou incapazes de discernir a respeito de suas decisões precisam ter autorização por escrito de um responsável;

– a pesquisa deve alcançar o maior benefício possível, com o menor custo plausível, facilitando o acesso de todos ao tratamento;

– o reembolso de despesas do paciente/voluntário é permitido, desde que individualizado, de acordo com a realidade de cada participante, evitando o “pagamento” ser um atrativo;

– toda pesquisa precisa ser aprovada por um Comitê de Ética, bem como suas alterações posteriores; eventuais problemas devem ser a ele comunicados.

No que diz respeito à ética em experimentação animal, a legislação no Brasil ainda está engatinhando, mas já avançamos. Em 2008 foi sancionada uma lei regulamentando o uso de animais em pesquisa, e – em 2009 – um decreto foi disposto sobre o mesmo assunto.

Ser ético é ser responsável, comprometido e não ter dificuldade em responder por seus atos. É poder ser transparente. Além disso, é também reconhecer o trabalho dos outros, dando-lhes os devidos créditos, quando há colaboração. É preciso ser justo ao fazer pesquisa e garantir a equidade, ou seja, o acesso de todos às descobertas científicas, respeitando as diferenças e necessidades individuais.

Não é possível fazer pesquisa – seja ela clínica ou básica – sem ética. A ética garante a qualidade dos seus dados, a confiabilidade de suas conclusões e, principalmente a soberania da vida e de sua qualidade – independentemente da espécie em estudo. Em última análise, a ética lhe garante poder ter orgulho do que faz. E isso independe da sua área de atuação.

Leia mais:

http://jus.com.br/revista/texto/5781/a-resolucao-no-196-96-do-conselho-nacional-de-saude-e-o-principialismo-bioetico

http://www.mct.gov.br/upd_blob/0204/204754.pdf

http://www.mct.gov.br/upd_blob/0204/204755.pdf

Permita-se ser imperfeita (serve para homens também)

Esse texto circula pela internet, anunciado como sendo de autoria da Martha Medeiros. Acredito que não seja dela, pois não encontrei nenhuma menção, nesse sentido, relatada em meio de comunicação formal. Seja de quem for, é cheio de bons conselhos. Fica de reflexão pro fim-de-semana. E se alguém souber a real autoria, por favor, avise nos comentários. (os grifos são meus)

“Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado,  decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!

E, entre uma coisa e outra,  leio livros. Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro, a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero. Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora.

Você é, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.

Tempo para fazer nada.

Tempo para fazer tudo.

Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

Tempo para sumir dois dias com seu amor.

Três dias…

Cinco dias!

Tempo para uma massagem..

Tempo para ver a novela.

Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

Tempo para fazer um trabalho voluntário.

Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.

Tempo para conhecer outras pessoas.

Voltar a estudar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir. Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.  Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!

Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante”.

Saudade: Apego ou Desapego?

O que é a tal saudade? O que torna essa palavrinha tão especial, além do fato, do qual temos tanto orgulho, de só existir na nossa língua e em nenhuma outra?

Já disseram que “saudade é tudo o que fica daquilo que não fica”. Gosto dessa definição. Saudade é relembrar o que se viveu, é experimentar novamente a sensação daqueles segundos, horas e até anos que não voltam mais. É perceber que a vida caminhou, que alguma coisa (ou tudo) mudou, que seguir adiante é preciso, mesmo que se olhe pra trás de tempos em tempos.

Penso que só se tem saudade de algo que não se repetirá. Mesmo que você consiga recuperar aquele amor perdido. Mesmo que retorne à cidadezinha onde cresceu. Mesmo que reencontre aquele amigo que não via há 10 anos. A sua relação com o seu amor não será mais a mesma. A sua percepção da cidade natal já não é aquela de quando você era criança. A amizade retomada terá outros significados: o compartilhamento entre dois amigos muda de forma com o passar do tempo, mais ainda quando existe a distância física.

Saudade é apego. Você não consegue deixar de desejar que aquele momento retorne. Não consegue se convencer de que aquela situação já é passado. Você se agarra àquele fiozinho de esperança que lhe diz que as coisas podem voltar a ser como eram antes.
Porém, no fundo, lá no fundinho, você sabe que não podem.

Saudade é desapego. É saber que muita coisa mudou, que não somos mais os mesmos e que a relação agora é outra. É não correr atrás do que já foi. Heráclito já dizia, com propriedade e razão: “Não se banha duas vezes no mesmo rio”.

Particularmente, prefiro curtir minha saudade, reviver em pensamento as lembranças, mas não tento retomar algo que acabou. Procurar o objeto da minha saudade pra tentar resgatar aquilo que já não existe mais é, pra mim, contraditório. Se você volta a morar na casa em que nasceu, volta mais alto, mais esperto, menos agitado.  Volta hoje com filhos e marido, com emprego e contas a pagar. É tudo diferente.

Não digo que não acredito em reconciliações, retratações, revisitações. Digo apenas que esse novo contato, caso ocorra, dará início a um novo tempo. Um novo ciclo. Jamais substituirá o que guardamos na memória ou no coração. E você, como lida com a saudade?

Você sabe o que quer?

Quantas vezes você teve que experimentar jiló pra saber que era amargo? De quantas colheradas do brigadeiro da vovó você precisou, até decidir que era o doce mais perfeito do mundo?

Ok, eu sei. Muitos vão dizer que não são bons exemplos, afinal são quase unanimidades. Porém, a questão aqui é outra: Quantas vezes você precisa experimentar algo para decidir se te apetece ou não? Uma, duas, três? Ou nenhuma, se você for daqueles que dizem que não gostam, mesmo sem nunca nem terem provado?

Prove: quem costuma dizer que não gosta sem nunca ter comido é criança. Mas tenha limites. Também é a criança que precisa brincar com todas as bonecas da loja até decidir qual levar pra casa. Familiarize-se com as suas escolhas e seja consequente: é igualmente infantil decidir, de repente, que biscoito de morango é horrível, mesmo que sempre tenha sido o seu preferido. E experimente variações. Será que jiló, se empanado, fica mais tragável? Talvez. Há que se ser flexível nas opiniões. Há que se pensar nas inúmeras possibilidades e combinações.

O problema de se ater às inúmeras possibilidades é que algumas pessoas tem grande resistência em abrir mão. Quando você opta por algo, automaticamente está desistindo de uma outra coisa. É maduro aceitar isso. É honesto com você mesmo, e pensar sob essa perspectiva te auxilia a descobrir o que é realmente importante.

Conheça-se. Saiba o que quer. E não tenha medo de errar. Não há uma só decisão nessa vida que não possa ser revista posteriormente (a não ser – é claro – a morte, tão citada nesses casos). Não perca tempo com o que não te interessa, com a desculpa de que pode se arrepender depois. Se não gosta de jiló, se ele não faz diferença na sua vida, vai se exaurir com diferentes receitas amargas pra quê? E por que você ficaria fazendo experiências suspeitas com o coitado do brigadeiro, se gosta dele do jeito que o conhece?

Em geral, a decisão assusta. Muitas pessoas não sabem lidar com esse poder, pois estão acostumadas à acomodação e ao medo, a pensar mil quinhentas e dezenove vezes antes de fazer uma curva. E que, depois que fazem, pensam mais seiscentas e oitenta vezes se essa era mesmo a melhor opção. Ora, ora. Se você virou, é porque vislumbrou ali um caminho melhor. E, se lá na frente descobrir que virar foi um erro, pegue o primeiro retorno. Não ande por um caminho imaginando como seria o outro. Ou se arrependendo. Essa é a responsabilidade que você assume pela sua escolha. Assuma riscos. Permita-se errar. E não se culpe por isso.

É isso que significa “saber o que se quer”. Saber o que se quer não é saber que se quer alguma coisa e ponto final. Saber o que se quer significa saber escolher. Significa saber perder seu tempo com coisas e pessoas que te interessam. Significa ter consciência de que pode dar errado, mas vale a pena arriscar. E lembre-se: A próxima década é construída a partir das escolhas que fazemos hoje. Agora. Portanto, não fique deixando pra depois a decisão do que fazer com a sua vida.