E essas tais “Dinâmicas de Grupo”?

Esse post tem um intuito bem informativo mesmo. Como o post anterior, ele foi feito há um tempinho já, em um antigo blog meu, e é fruto de muitas pessoas perguntarem o que são as dinâmicas de grupo, pra que servem e se são realmente úteis. Futuramente, pretendo fazer um texto mais específico sobre esse assunto. Hoje, vamos abordá-lo de uma maneira simples, pra quem não é profissional da área de RH, mas está sempre em contato com essa técnica, seja em processos seletivos ou em treinamentos corporativos.

Existem vários tipo de dinâmica de grupo, e cada um deles tem uma utilidade diferente e específica. Os principais são: Quebra-Gelo, Apresentação, Integração, Seleção, Treinamento, Feedback e Fechamento. Vejamos cada tipo separadamente.

A dinâmica de quebra-gelo serve para ajudar a tirar as tensões do grupo, desinibindo as pessoas para o encontro. É um recurso pra quebrar a seriedade e aproximar as pessoas. Essas dinâmicas podem ser brincadeiras, em que as pessoas sem movimentam e descontraem, como no caso do jogo de dardos. É comum esse tipo de dinâmica ter bolas, músicas, ser um momento mais leve mesmo.
 
A dinâmica de apresentação é aquele momento inicial, em que as pessoas se apresentam. As empresas têm preferido a apresentação individual em que cada candidato vai à frente do grupo e apenas fala da sua trajetória, mas existem dinâmicas de grupos específicas para esse momento, e elas costumam ser mais interessantes e menos constrangedoras. Afinal, quem não se sente nervoso, tendo que contar sua história de vida, diante de uma platéia desconhecida? Um exemplo de dinâmica de apresentação é aquela em que se divide o grupo em duplas, as duplas conversam e depois cada um apresenta o seu par. É um momento que, normalmente, também tem um clima descontraído e ajuda a integrar as pessoas. Sim, a psicóloga tem a maioria daquelas informações no seu currículo, mas ouvir da própria pessoa é diferente, concordam? Você pode explicar melhor algumas informações. E é interessante conhecer todas aquelas pessoas com quem vocês irão passar as próximas horas e com quem estão concorrendo, não acham?
 
A dinâmica de integração, como o próprio nome diz, tem o objetivo final de integrar as pessoas. Ela também permite observar o comportamento do indivíduo no grupo, mas tem como foco promover a descontração e promover a comunicação.
 
A dinâmica de seleção visa a identificar aspectos pessoais e profissionais dos candidatos. É muito utilizada como forma de avaliação, por permitir uma visão de todos os candidatos ao mesmo tempo, o que facilita a comparação entre eles. Além disso, a gente pode observar o funcionamento do sujeito na prática, enquanto ele trabalha. A transposição do comportamento de um indivíduo de uma atividade como essa para o dia-a-dia é completamente possível. Aqui entram as dinâmicas de construção de castelos, maquetes, projetos etc.
 
Há também a dinâmica de treinamento. Esse tipo de dinâmica trabalha conceitos em forma de jogos e brincadeiras, estimula a autoavaliação e a descontração e facilita o aprendizado. Muitos estudos já comprovaram que, quando você põe em prática o que aprende, tem maior chance de internalizar aquele conhecimento é. Portanto, o aprendizado através de dinâmicas de grupo garante maior fixação do conteúdo, mesmo que essa operacionalização tenha sido metafórica.
 
A dinâmica de feedback fornece informações sobre como a atuação do grupo ou da pessoa está afetando os outros. Ela ajuda o indivíduo ou o grupo a melhorar seu desempenho e, assim, alcançar seus objetivos. É um processo de exame em conjunto. Esse tipo não é muito comum em processos seletivos. É mais comum em treinamentos.
 
A dinâmica de fechamento vem encerrar as atividades do dia, sintetizando o conteúdo que foi abordado. Muitas vezes, confunde-se e/ou une-se à dinâmica de feedback. Também tem um clima descontraído, e também é mais comum em encontros para treinamento.
 
Acho que, assim, conseguimos clarear um pouco o objetivo de cada dinâmica, o que acham? Sobre que outros assuntos vocês gostariam de ler?

Alguns Erros em Processos Seletivos

Que não é fácil entrar no mercado de trabalho a gente sabe. Mesmo com uma boa formação, muitas vezes temos dificuldades em conseguir uma oportunidade. Até para quem já tem um emprego processos seletivos costumam ser cercados de dúvidas e angústias. Por isso, reuni aqui alguns itens que, em minha opinião, são erros que podem colocar tudo a perder na busca de uma vaga. Fique ligado e conquiste a sua!

 

  • Não ter um currículo adequado. Seu currículo tem a tarefa de despertar no selecionador o interesse em conhecê-lo. Um bom currículo é de fácil leitura, claro, conciso e não tem erros de português. Na dúvida, recorra ao dicionário, ao Google ou a um corretor ortográfico (no Word tem). Também é muito importante que ele contenha o objetivo do candidato. Se você tem mais de um objetivo, tenha currículos diferentes – um para cada tipo de vaga almejada.
  • Não saber nada sobre a empresa para a qual está se candidatando – antes da entrevista, pesquise sobre a companhia. A internet é uma grande aliada nesse processo. Descubra se você se identifica com aquele nome, qual é o posicionamento da empresa no mercado e no que você pode contribuir para o seu crescimento.
  • Não fazer perguntas, durante o processo seletivo. Perguntar é uma forma de demonstrar interesse pela empresa e pela vaga. Muitas pessoas acreditam, equivocadamente, que estão em uma entrevista apenas para responder o que lhes é perguntado. Questione acerca das atividades que o cargo em questão prevê, sobre seu posicionamento hierárquico e a equipe de trabalho. Isso demonstra sua disposição para ocupar o cargo e o ajuda a saber se é o que realmente está buscando.
  •  Postura inadequada – Por maior que seja o número de etapas em um processo seletivo, o contato que candidato e selecionador têm é pouco, e é esse o tempo que você tem para criar uma boa impressão a seu respeito. Evite o uso de gírias, excesso de informalidade, roupas muito casuais. Conhecer a cultura da empresa ajuda a prever quais são os comportamentos mais adequados, mas, na dúvida, opte pela formalidade.
  • Mentir – seja no currículo, seja na entrevista, mentir não é uma boa opção. O selecionador é preparado para reconhecer se você está sendo sincero e, mesmo que ele não perceba naquela hora, vai ser muito difícil você sustentar uma personagem durante toda a sua trajetória dentro da empresa. Não relate habilidades que não possui – especialmente no que diz respeito a conhecimentos técnicos, como idiomas. Se houver um teste, rapidamente você será descoberto.
  • Falar mal da empresa anterior – se você saiu insatisfeito do último emprego, evite mencionar o ocorrido. Caso o entrevistador pergunte, fale a verdade, mas sem agredir seu ex-chefe ou sua ex-empresa – e não se estenda no assunto.
  • Falar demais ou falar muito pouco – Ser prolixo é ruim, mas também não seja resumido demais. Dê ao entrevistador a quantidade de detalhes necessária para que ele tenha sua pergunta respondida e compreenda o contexto dos fatos. Em uma dinâmica de grupo, tome cuidado para não atropelar os concorrentes, mas, do mesmo modo, não se deixe atropelar por eles.

Espero que as dicas sejam úteis! 

Estabelecer-se profissionalmente: maturidade, comodismo ou sorte?

Escolher a profissão é um processo difícil para a maioria das pessoas, pois envolve não apenas a  própria vontade,  mas a de seus pais e familiares; não depende unicamente de seu gosto, mas de sua aptidão; não pode, infelizmente, basear-se numa visão romântica de realização pessoal, pois espera-se também que a profissão escolhida gere um retorno financeiro minimamente satisfatório. Isso sem falar em outros fatores, como, por exemplo, status, concorrência, tempo e custo do investimento educacional. A decisão profissional nunca é exclusivamente pessoal. Tantas coisas influenciam essa questão, que é praticamente uma conseqüência óbvia a grande quantidade de profissionais insatisfeitos com os diplomas que têm em mãos.
 
Não vou entrar no mérito da idade dos vestibulandos, questionando se é justo ter que escolher a profissão de toda uma vida numa idade tão precoce. Quero me ater ao depois. Você venceu a dúvida, fez sua opção, foi aprovado no vestibular, passou muitas noites em claro preparando seminários e conseguiu seu canudo. E agora? Não era bem isso que você queria, mas está feito. E aí? O quanto você está disposto a abrir mão de seu sonho dourado, pra investir em uma profissão que te dê maior retorno financeiro?
 
Podemos chamar de sortudo aquele cara que escolheu a profissão dos seus sonhos e é bem sucedido nela. Trabalha com prazer, não precisa negligenciar a vida pessoal, é reconhecido profissionalmente e é bem remunerado. Não vamos falar desse cara-exceção, pra não despertar a ira de 99,99% das pessoas.
 
Vamos falar daquele que precisa escolher entre prazer e dinheiro. Aquele que gostaria de viver de música, mas sabe que essa é a realidade de muito poucos. Aquele que dizia que ia ser médico desde criancinha, mas não foi aprovado no vestibular em nenhuma das 7 tentativas. Aquela que tem uma estilista dentro de si, mas não conseguiu convencer os pais a pagarem sua faculdade de Moda.
 
Será que aceitar que não podemos viver da profissão dos sonhos é ser acomodado? Ou seria uma questão de maturidade? Você está disposto a sacrificar seu ideal, em prol dos benefícios que uma profissão mais acessível e estável pode te proporcionar? Se sim, essa é uma decisão adulta, madura e realista, ou um conformismo de quem não acredita em si mesmo? E, mais importante, caso opte pelo sacrifício, como abraçar de fato essa decisão, e não se permitir, mais à frente, sentir-se não-realizado e frustrado?
 
Eu sou adepta do bom-senso, do realismo e do equilíbrio. Ninguém deve abrir mão de seus desejos antes de tentar. Tomo a liberdade de chamar a isso de covardia. Tente, pelo menos uma vez, transformar em realidade o seu sonho. Porém, gosto muito da frase que diz que pra tudo na vida é preciso saber a hora de parar. Há uma linha tênue entre ser determinado e ser intransigente, e você não quer arruinar sua vida por ser teimoso, quer?
 
Não quero dizer, com isso, que você deva desistir diante da primeira dificuldade. Lute pelos seus objetivos, corra atrás, insista. O que vou falar daqui pra frente é para aqueles que já viram que, no momento, é inviável dar continuidade ao seu sonho profissional.
 
Há formas saudáveis e positivas de se lidar com isso.
 
Você pode encarar a labuta diária como um preço necessário a pagar por todo o prazer que você tem nas outras áreas da vida. Dessa forma, você tem que priorizar bastante seu prazer no tempo que tem livre. Investir no seu prazer… Quer coisa melhor? Sair daquele dia infernal no escritório e passar a noite no ensaio da sua banda não seria uma maravilha?
 
Você pode fazer do seu trabalho atual um trampolim. Já dizia Maquiavel: Os fins justificam os meios. Esqueça a conotação ruim dessa famosa frase e transforme seu trabalho atual naquilo que te permitirá alcançar seu sonho. Trace um plano: 10 anos de serviços administrativos, em troca de uma boa poupança, de onde você tirará o dinheiro para investir naquela loja de geléias no interior.
 
Você pode encontrar o bom no ruim. Seu sonho envolvia defender a natureza, mas seu pai te obrigou a se tornar advogado? Por que não se especializar em Direito Ambiental? Fez Administração, mas gosta mesmo é de publicidade? Uma pós nessa área talvez resolva o seu problema. Nunca conseguiu fazer aquele curso de piloto de avião? Talvez ser funcionário de uma empresa aérea e ter a oportunidade de estar pertinho da sua paixão e em constantes viagens minimize um pouquinho a sua frustração.
 
Certamente há muitas outras soluções possíveis. O que importa, afinal, é encontrarmos nosso lugar no mundo, sentirmo-nos responsáveis por nossas próprias escolhas e ficarmos felizes com o resultado. O que diferencia as pessoas mais satisfeitas das pessoas menos satisfeitas não é ausência de conflitos, mas a sua postura diante deles.
 
Você está satisfeito com o rumo que deu à sua vida profissional? Foi um processo simples ou complicado? Compartilhe conosco!

Saudade: Apego ou Desapego?

O que é a tal saudade? O que torna essa palavrinha tão especial, além do fato, do qual temos tanto orgulho, de só existir na nossa língua e em nenhuma outra?

Já disseram que “saudade é tudo o que fica daquilo que não fica”. Gosto dessa definição. Saudade é relembrar o que se viveu, é experimentar novamente a sensação daqueles segundos, horas e até anos que não voltam mais. É perceber que a vida caminhou, que alguma coisa (ou tudo) mudou, que seguir adiante é preciso, mesmo que se olhe pra trás de tempos em tempos.

Penso que só se tem saudade de algo que não se repetirá. Mesmo que você consiga recuperar aquele amor perdido. Mesmo que retorne à cidadezinha onde cresceu. Mesmo que reencontre aquele amigo que não via há 10 anos. A sua relação com o seu amor não será mais a mesma. A sua percepção da cidade natal já não é aquela de quando você era criança. A amizade retomada terá outros significados: o compartilhamento entre dois amigos muda de forma com o passar do tempo, mais ainda quando existe a distância física.

Saudade é apego. Você não consegue deixar de desejar que aquele momento retorne. Não consegue se convencer de que aquela situação já é passado. Você se agarra àquele fiozinho de esperança que lhe diz que as coisas podem voltar a ser como eram antes.
Porém, no fundo, lá no fundinho, você sabe que não podem.

Saudade é desapego. É saber que muita coisa mudou, que não somos mais os mesmos e que a relação agora é outra. É não correr atrás do que já foi. Heráclito já dizia, com propriedade e razão: “Não se banha duas vezes no mesmo rio”.

Particularmente, prefiro curtir minha saudade, reviver em pensamento as lembranças, mas não tento retomar algo que acabou. Procurar o objeto da minha saudade pra tentar resgatar aquilo que já não existe mais é, pra mim, contraditório. Se você volta a morar na casa em que nasceu, volta mais alto, mais esperto, menos agitado.  Volta hoje com filhos e marido, com emprego e contas a pagar. É tudo diferente.

Não digo que não acredito em reconciliações, retratações, revisitações. Digo apenas que esse novo contato, caso ocorra, dará início a um novo tempo. Um novo ciclo. Jamais substituirá o que guardamos na memória ou no coração. E você, como lida com a saudade?

Você sabe o que quer?

Quantas vezes você teve que experimentar jiló pra saber que era amargo? De quantas colheradas do brigadeiro da vovó você precisou, até decidir que era o doce mais perfeito do mundo?

Ok, eu sei. Muitos vão dizer que não são bons exemplos, afinal são quase unanimidades. Porém, a questão aqui é outra: Quantas vezes você precisa experimentar algo para decidir se te apetece ou não? Uma, duas, três? Ou nenhuma, se você for daqueles que dizem que não gostam, mesmo sem nunca nem terem provado?

Prove: quem costuma dizer que não gosta sem nunca ter comido é criança. Mas tenha limites. Também é a criança que precisa brincar com todas as bonecas da loja até decidir qual levar pra casa. Familiarize-se com as suas escolhas e seja consequente: é igualmente infantil decidir, de repente, que biscoito de morango é horrível, mesmo que sempre tenha sido o seu preferido. E experimente variações. Será que jiló, se empanado, fica mais tragável? Talvez. Há que se ser flexível nas opiniões. Há que se pensar nas inúmeras possibilidades e combinações.

O problema de se ater às inúmeras possibilidades é que algumas pessoas tem grande resistência em abrir mão. Quando você opta por algo, automaticamente está desistindo de uma outra coisa. É maduro aceitar isso. É honesto com você mesmo, e pensar sob essa perspectiva te auxilia a descobrir o que é realmente importante.

Conheça-se. Saiba o que quer. E não tenha medo de errar. Não há uma só decisão nessa vida que não possa ser revista posteriormente (a não ser – é claro – a morte, tão citada nesses casos). Não perca tempo com o que não te interessa, com a desculpa de que pode se arrepender depois. Se não gosta de jiló, se ele não faz diferença na sua vida, vai se exaurir com diferentes receitas amargas pra quê? E por que você ficaria fazendo experiências suspeitas com o coitado do brigadeiro, se gosta dele do jeito que o conhece?

Em geral, a decisão assusta. Muitas pessoas não sabem lidar com esse poder, pois estão acostumadas à acomodação e ao medo, a pensar mil quinhentas e dezenove vezes antes de fazer uma curva. E que, depois que fazem, pensam mais seiscentas e oitenta vezes se essa era mesmo a melhor opção. Ora, ora. Se você virou, é porque vislumbrou ali um caminho melhor. E, se lá na frente descobrir que virar foi um erro, pegue o primeiro retorno. Não ande por um caminho imaginando como seria o outro. Ou se arrependendo. Essa é a responsabilidade que você assume pela sua escolha. Assuma riscos. Permita-se errar. E não se culpe por isso.

É isso que significa “saber o que se quer”. Saber o que se quer não é saber que se quer alguma coisa e ponto final. Saber o que se quer significa saber escolher. Significa saber perder seu tempo com coisas e pessoas que te interessam. Significa ter consciência de que pode dar errado, mas vale a pena arriscar. E lembre-se: A próxima década é construída a partir das escolhas que fazemos hoje. Agora. Portanto, não fique deixando pra depois a decisão do que fazer com a sua vida.

Fechando Ciclos

Um gestaltista diria que o organismo se repete na busca de completar o que está inacabado ou interrompido. Astrólogos aconselham a “abandonar o velho para se abrir ao novo”. Estudiosos do feng shui defendem a renovação: eliminar objetos antigos faria circular a energia e traria prosperidade. Psicanalistas ressaltam a importância de se viver o luto. Para eles, precisamos – de fato – entrar em contato com aquele fim para, a partir daí, elaborá-lo e superá-lo. Antropólogos não se cansam de mostrar que ritos de passagem auxiliam, e muito, os processos de transição.

Não importa a teoria – certamente há muitas. O fato é que nós precisamos  de início, meio e fim bem delineados. Precisamos associar a mudança a uma data específica, a uma situação pontual, a um evento. Ansiamos pela verbalização, pela formalização. As festas de aniversário são um bom exemplo. Dependemos de provas claras, concretas e universais dos acontecimentos para acreditarmos neles… Temos dificuldade em aceitar uma morte não comprovada, uma nota não lançada, um rompimento mal resolvido.

Talvez isso explique mães inconformadas a respeito da morte de seus filhos sumidos há anos, se seus corpos ainda não tiverem sido encontrados. Para elas, ainda há esperança. Enterrar sua cria ajuda a seguir em frente, por mais dolorosa que a experiência possa parecer (e ser).

É comum, também, vermos aquele leve ar de insegurança nos olhos do estudante recém-graduado que ainda não tem, em mãos, seu diploma. É como se algo ainda pudesse dar errado e lhe dizer: não, ainda não foi dessa vez que você cumpriu essa etapa.

E aquele apaixonado que, enquanto não vê o seu amor passando de mãos dadas com outra pessoa, não consegue assimilar que seu relacionamento acabou? Não seria ele também uma vítima da possibilidade, ainda que remota?

Precisamos fechar os ciclos para convencermo-nos de que a realidade mudou. Só seguimos em frente,  mesmo, quando a ficha cai: A certidão de óbito. A foto de beca. O sim e o não. Sem dúvidas ou ressalvas que nos possibilitem duvidar da realidade que se apresenta. Ainda que, aos olhos alheios, ela esteja bem clara, não é?

Sociedade Sem Drogas: Utopia ou Possibilidade?

A impossibilidade de erradicação das drogas é inquestionável. Porém, o que aparentemente é uma má notícia merece outro olhar: o da reflexão. Até que ponto é desejável o total fim das drogas? Defender uma sociedade completamente livre de drogas inclui abrir mão de todos os benefícios associados a essas substâncias. Além disso, é preciso ter em mente que uma sociedade com drogas não significa, necessariamente, uma sociedade que abusa das drogas.
 
A palavra “droga” traz em si o peso oriundo de uma conotação negativa que nem sempre é apropriada. Muitas drogas promovem a melhora da qualidade de vida. De fato, há drogas – como ansiolíticos, antidepressivos e analgésicos – que são as verdadeiras responsáveis pela manutenção das vidas de muitas pessoas. Ignorar isso é tratar o assunto de forma dogmática. 

O uso abusivo de drogas, bem como o uso de drogas que não possuem comprovada aplicação terapêutica, são os principais motivos de associarmos as drogas a consequências negativas. Diferentemente das drogas que tem ação terapêutica, as drogas recreativas não são de uso recomendado. Porém, devido às sensações prazerosas que proporcionam, dificilmente deixarão de ter adeptos. Campanhas de prevenção e controle do uso de drogas são, em certo sentido, eficientes, mas não tem condições de extinguir o uso abusivo.

A sociedade sem drogas é uma utopia. A sociedade que faça uso responsável das drogas, ainda que com fins recreativos, é uma possibilidade. Não é uma possibilidade fácil nem rápida de se tornar realidade, mas é plausível o suficiente para justificar o investimento em campanhas e programas de prevenção, controle e até abandono desse abuso.
 
Essa é a minha opinião. E você, o que acha?

Fidelidade, uma questão de escolha

Uma famosa psicanalista defende, com argumentos muito sedutores (ainda que simples e datados), que o ser humano deve abrir mão da monogamia. A cobrança de fidelidade do parceiro seria prejudicial e traria desnecessário sofrimento. Seus argumentos incluem, por exemplo, o de que nenhum animal (irracional) é monogâmico, e que ter vários parceiros concomitantemente é instintivo, natural e milenar.

Não entendo esse hábito de balizar o comportamento humano com explicações que envolvem todas as classes de seres vivos. Dizer que podemos – ou devemos – ter determinada atitude porque 350 espécies de animais o fazem não é, em minha opinião, nada razoável.
 
O homem é uma espécie singular por uma série de motivos. O grande diferencial entre nós e o resto das formas de vida é que somos dotados de linguagem. A partir dela, nós pudemos nos socializar. Quais são as implicações disso? Ser social e, conseqüentemente, viver em sociedade prevê uma série de símbolos e convenções, direitos e deveres.
 
Talvez a fidelidade seja, de fato, contra nosso instinto. Talvez tenhamos sido socialmente condicionados para agir assim. A grande questão é: Qual é o problema disso? Por que, em pleno século XXI, uma profissional ganha enorme espaço na mídia, disseminando a idéia de que devemos nos comportar como selvagens? Que resistência é essa que temos em reconhecer que somos limitados por nossas convenções? Que somos, sim, domesticados e que precisamos ser? (Uso essa palavra forte, leitor, para ter sobre você exatamente o efeito de espantá-lo. Você se arrepia por eu dizer que você é domesticado, mas você o é).
 
Nós somos domesticados para a hora de dormir e acordar, para a hora de comer, para fazer exercícios físicos, para estudar, para respeitar e amar nossos pais. Somos condicionados para dar bom dia ao porteiro do prédio e para olhar para os dois lados antes de atravessar a rua. Nós dependemos de regras para viver. A rotina é uma regra. O hábito é uma regra. O que são as leis, senão mero instrumento de ordem social, ainda que muitas vezes sejam arbitrárias e controversas?
 
Sou contra essa anarquia marital que propõe a psicanalista em questão porque, em última análise, o discurso dela nos equipara a insetos. Uma mariposa não pensa, não se questiona, não tem uma profissão e não tem sentimento. E eu me recuso – veementemente – a ocupar um lugar de mariposa, quando sou dotada de um excepcional aparelho psíquico, que me permite escolher. Seguir seus instintos é, simplesmente, abrir mão do seu direito de escolher. Você joga fora a sua capacidade de tomar decisões, de pesar prós e contras e age igualzinho ao cachorro da vizinha que late sem saber exatamente por que está latindo. Animais não têm poder de escolha.
 
Você já parou para pensar no privilégio que é poder escolher o que fazer com a sua vida? Quando uma pessoa diz que é da minha natureza ser infiel e que eu devo obediência a isso, ela me resume ao meu órgão sexual. Eu escuto que estou à disposição dos meus hormônios, que não tenho discernimento. E isso não é inadmissível?

Para você, o que é dignidade? E direitos?

Recentemente, ao postar no meu mural do facebook uma mensagem contra a homofobia, um amigo homossexual escreveu: “É por essas que te adoro”. A princípio, fiquei contente – resposta natural a uma demonstração de afeto. Depois fiquei incomodada com aquilo, sem saber exatamente o motivo. Pensei no assunto durante dias, tentando entender… E, finalmente, a ficha caiu.
 
Antes de qualquer coisa, deixemos de lado os questionamentos acerca da sexualidade. Não pretendo levantar a discussão sobre a origem da definição sexual, ou – termo tenebroso – sobre sua normalidade. Aliás, tenho a intenção de que isso não aconteça. E por quê? 
 
Porque essa é uma reflexão sobre o respeito. E, para respeitar uma existência diferente da sua, você não precisa entendê-la; não precisa provar sua legitimidade, nem justificá-la cientificamente. Conviver em harmonia com o que é diferente significa reconhecer que você é um, dentre bilhares. É compreender que o mundo não gira em torno do seu umbigo, que as suas crenças não são irrefutáveis e que o universo não concordará sempre com você. Isso não é um tanto óbvio?
 
Pois deveria, e é esse o motivo do meu incômodo: perceber que respeitar o outro me diferencia dos demais. Quando respeitar as pessoas o torna melhor que a maioria, temos um grave sinal de que algo está muito errado no mundo. Você já teve acesso à Declaração dos Direitos Humanos? Em seu Artigo I, está escrito: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Livres e iguais. Você sabe o que significa dignidade? E direitos?
 
Precisamos refletir sobre o lugar em que estamos colocando essas pessoas. Qual é o espaço que elas têm na sociedade? Quão oprimido se sente um sujeito, para que fique tão feliz com uma rasa demonstração de apoio? Eu me pergunto, sem encontrar uma resposta satisfatória, de onde surge a crença de que é nosso direito definir o espaço de cada um.
 
É claro que eu entendo o carinho do meu amigo, ao comentar a minha mensagem no facebook. É, provavelmente, fruto de inúmeras situações de desaprovação, rejeição e – por que não? – retaliação às quais foi submetido. O que não consigo entender é como consideramos possível viver em um mundo no qual, ao cumprir suas obrigações, você é considerado especial. Ainda mais quando isso significa apenas respeitar o outro.