Você sabe o que quer?

Quantas vezes você teve que experimentar jiló pra saber que era amargo? De quantas colheradas do brigadeiro da vovó você precisou, até decidir que era o doce mais perfeito do mundo?

Ok, eu sei. Muitos vão dizer que não são bons exemplos, afinal são quase unanimidades. Porém, a questão aqui é outra: Quantas vezes você precisa experimentar algo para decidir se te apetece ou não? Uma, duas, três? Ou nenhuma, se você for daqueles que dizem que não gostam, mesmo sem nunca nem terem provado?

Prove: quem costuma dizer que não gosta sem nunca ter comido é criança. Mas tenha limites. Também é a criança que precisa brincar com todas as bonecas da loja até decidir qual levar pra casa. Familiarize-se com as suas escolhas e seja consequente: é igualmente infantil decidir, de repente, que biscoito de morango é horrível, mesmo que sempre tenha sido o seu preferido. E experimente variações. Será que jiló, se empanado, fica mais tragável? Talvez. Há que se ser flexível nas opiniões. Há que se pensar nas inúmeras possibilidades e combinações.

O problema de se ater às inúmeras possibilidades é que algumas pessoas tem grande resistência em abrir mão. Quando você opta por algo, automaticamente está desistindo de uma outra coisa. É maduro aceitar isso. É honesto com você mesmo, e pensar sob essa perspectiva te auxilia a descobrir o que é realmente importante.

Conheça-se. Saiba o que quer. E não tenha medo de errar. Não há uma só decisão nessa vida que não possa ser revista posteriormente (a não ser – é claro – a morte, tão citada nesses casos). Não perca tempo com o que não te interessa, com a desculpa de que pode se arrepender depois. Se não gosta de jiló, se ele não faz diferença na sua vida, vai se exaurir com diferentes receitas amargas pra quê? E por que você ficaria fazendo experiências suspeitas com o coitado do brigadeiro, se gosta dele do jeito que o conhece?

Em geral, a decisão assusta. Muitas pessoas não sabem lidar com esse poder, pois estão acostumadas à acomodação e ao medo, a pensar mil quinhentas e dezenove vezes antes de fazer uma curva. E que, depois que fazem, pensam mais seiscentas e oitenta vezes se essa era mesmo a melhor opção. Ora, ora. Se você virou, é porque vislumbrou ali um caminho melhor. E, se lá na frente descobrir que virar foi um erro, pegue o primeiro retorno. Não ande por um caminho imaginando como seria o outro. Ou se arrependendo. Essa é a responsabilidade que você assume pela sua escolha. Assuma riscos. Permita-se errar. E não se culpe por isso.

É isso que significa “saber o que se quer”. Saber o que se quer não é saber que se quer alguma coisa e ponto final. Saber o que se quer significa saber escolher. Significa saber perder seu tempo com coisas e pessoas que te interessam. Significa ter consciência de que pode dar errado, mas vale a pena arriscar. E lembre-se: A próxima década é construída a partir das escolhas que fazemos hoje. Agora. Portanto, não fique deixando pra depois a decisão do que fazer com a sua vida.

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