Para você, o que é dignidade? E direitos?

Recentemente, ao postar no meu mural do facebook uma mensagem contra a homofobia, um amigo homossexual escreveu: “É por essas que te adoro”. A princípio, fiquei contente – resposta natural a uma demonstração de afeto. Depois fiquei incomodada com aquilo, sem saber exatamente o motivo. Pensei no assunto durante dias, tentando entender… E, finalmente, a ficha caiu.
 
Antes de qualquer coisa, deixemos de lado os questionamentos acerca da sexualidade. Não pretendo levantar a discussão sobre a origem da definição sexual, ou – termo tenebroso – sobre sua normalidade. Aliás, tenho a intenção de que isso não aconteça. E por quê? 
 
Porque essa é uma reflexão sobre o respeito. E, para respeitar uma existência diferente da sua, você não precisa entendê-la; não precisa provar sua legitimidade, nem justificá-la cientificamente. Conviver em harmonia com o que é diferente significa reconhecer que você é um, dentre bilhares. É compreender que o mundo não gira em torno do seu umbigo, que as suas crenças não são irrefutáveis e que o universo não concordará sempre com você. Isso não é um tanto óbvio?
 
Pois deveria, e é esse o motivo do meu incômodo: perceber que respeitar o outro me diferencia dos demais. Quando respeitar as pessoas o torna melhor que a maioria, temos um grave sinal de que algo está muito errado no mundo. Você já teve acesso à Declaração dos Direitos Humanos? Em seu Artigo I, está escrito: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Livres e iguais. Você sabe o que significa dignidade? E direitos?
 
Precisamos refletir sobre o lugar em que estamos colocando essas pessoas. Qual é o espaço que elas têm na sociedade? Quão oprimido se sente um sujeito, para que fique tão feliz com uma rasa demonstração de apoio? Eu me pergunto, sem encontrar uma resposta satisfatória, de onde surge a crença de que é nosso direito definir o espaço de cada um.
 
É claro que eu entendo o carinho do meu amigo, ao comentar a minha mensagem no facebook. É, provavelmente, fruto de inúmeras situações de desaprovação, rejeição e – por que não? – retaliação às quais foi submetido. O que não consigo entender é como consideramos possível viver em um mundo no qual, ao cumprir suas obrigações, você é considerado especial. Ainda mais quando isso significa apenas respeitar o outro.

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